O Espetáculo Sambas de Protesto é um projeto inédito que resgata o samba como ferramenta de resistência, denúncia e celebração da vida. Com direção musical de Edu Meirelles, direção artística de Cleverton Borges e direção de arte de Mitti Mendonça, o show apresenta composições autorais e versões de sambas já conhecidos pelo público com temáticas sociais, raciais, religiosas e políticas.
Idealizado pelo cantor e compositor Edu Meirelles, com criação e concepção compartilhada com a pesquisadora musical e jornalista Bruna Paulin, o espetáculo propõe uma experiência musical potente que parte das raízes do samba para abordar temas como racismo, intolerância religiosa, amor e empoderamento de pessoas negras e outras pautas urgentes da sociedade brasileira.
O elenco de intérpretes é formado por Camila Falcão, Edu Meirelles e Glau Barros, acompanhados pelos músicos Bruno Flores (baixo), Cassiano Miranda (percussão), Henrique Rollo (cavaquinho), Denner Gomes (bateria). A preparação vocal é assinada por Rodrigo Fishman. A coordenação de produção é de Jaqueline Beltrame, com produção executiva de Mauryani Oliveira.
No repertório, com roteiro criado através de pesquisa musical de Bruna Paulin, canções autorais como “Black de Respeito”, “Preto por Inteiro” e “Acredita no teu axé”, de Edu Meirelles, se unem a sambas de compositores como Wilson das Neves, Leci Brandão, Carlos Caetano, Darcy da Mangueira, Evandro Lima, Guaíra Soares, entre outros. O espetáculo também presta homenagem às histórias pessoais dos artistas em cena, com trechos biográficos que cruzam ancestralidade, resistência e identidade negra.
Sambas de Protesto é mais do que um show: é um manifesto. Um chamado à escuta e à presença. Um gesto de ocupação estética, simbólica e política de espaços historicamente negados à população negra. Dos 19 profissionais envolvidos na equipe, 11 são pessoas pretas ou pardas, reafirmando o compromisso com a representatividade e a construção de uma narrativa feita por quem historicamente foi silenciado.
Figurino e cenário pensados para construir pontes de acessibilidade com o público
Com inspiração nas obras de Hélio Oiticica e Arthur Bispo do Rosário, o espetáculo traz uma proposta de figurino intitulada Parangolé Contemporâneo, composta por mantos bordados, coloridos e tateáveis, que funcionam como manifestações visuais, políticas e sensoriais. Criados a partir de técnicas como patchwork, bordado, crochê e upcycling, os figurinos carregam frases, símbolos e memórias dos artistas em cena, e serão disponibilizados ao público como peças de arte vestíveis após a apresentação, promovendo a interatividade e a acessibilidade, especialmente para pessoas com deficiência visual.
A cenografia acessível adota princípios da assemblage e da estética da acumulação, utilizando materiais diversos e texturas para criar um ambiente tridimensional e imersivo. Inspirada na obra Tropicália, a ambientação permite que o público cego explore e sinta os elementos do espetáculo por meio do tato, promovendo uma experiência sensorial inclusiva e alinhada ao conceito de descolonização estética e cultural que guia o projeto. Tanto figurinos quanto cenário são assinados pela Diretora de Arte do projeto, Mitti Mendonça.
O espetáculo foi contemplado pelo Edital SEDAC/LPG nº 12/2023, com financiamento do Pró-Cultura RS, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal e apoio institucional da Casa de Cultura Mario Quintana.
Direção de arte: Mitti Mendonça
Assistência bordados dos figurino: Auryn Souza e Luiza Veiga
Assistência de Cenografia: Luiza Veiga
Ano de 2025